Circuito SESC Autores
Estudantes do Campus Pouso Alegre participam de encontro literário com a escritora Midria
A Atividade integrou a programação do Circuito Sesc de Autores e promoveu reflexões sobre identidade, literatura e resistência entre a escritora/poeta e os alunos do 2º ano dos cursos técnicos integrados ao ensino médio. Durante o encontro, Midria realizou a leitura de poesias autorais que abordam aspectos de sua trajetória e vivências.
A analista de Cultura do Sesc Pouso Alegre, Magda Bast, explica que o projeto busca aproximar escritores e artistas de seu público. “Muitas vezes, artistas e suas obras ficam à margem, e esse projeto vem para criar uma proximidade entre o criador e o público”.
A conversa também abordou temas centrais na obra de Midria, como a negritude e o combate ao racismo. A poeta relatou o processo de afirmação de sua identidade e a importância da rede de apoio familiar para sua dedicação aos estudos e às artes.
Ao final, Midria deixou uma mensagem de incentivo aos alunos sobre a importância do autocuidado e da valorização da própria história: “Precisamos ter um lugar que ninguém consegue tirar de nós, que é o amor por nossa própria existência. Jamais devemos esquecer que eu sou o primeiro e maior amor da minha vida”.
Trajetória e Resistência
Natural de São Paulo e formada em Ciências Sociais pela USP, Midria compartilhou sua jornada como poeta e organizadora do USPerifa, coletivo que leva a poesia falada (Slam) para o ambiente universitário. Atualmente mestranda
em Antropologia, a autora relembrou sua formação em escola pública e como o acesso a projetos de leitura foi determinante para o desenvolvimento de sua visão crítica.
“Sempre gostei de ler, mas foi a partir de atividades extracurriculares que me apaixonei pela leitura e passei a ter uma perspectiva mais profunda da realidade”, afirmou a escritora.
Poeta, cientista social e mestranda em Antropologia, Midria transforma experiência em linguagem e linguagem em encontro. Foi em 2018 que sua voz ecoou mais longe, com "A Menina que Nasceu sem Cor", no programa Manos e Minas, um poema que não só viralizou, mas também abriu caminhos. Desde então, sua escrita tem se desdobrado em livros, palcos e múltiplas formas de presença.
Entre páginas, microfones e palcos, Midria constrói uma poética que é também gesto político: escreve a partir das margens, mas nunca à margem de si. Sua obra atravessa a literatura, a música, a cena e o afeto no podcast Ainda existirão poesias no fim do mundo e nos espetáculos de poesia falada que expandem seus como livros para o corpo e para o agora.
