Diversidade na escola
Encontro do NAPNE debate inclusão escolar com a participação de alunos, pais e especialistas
Com o tema “Diversidade no Contexto Escolar”, o Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) realizou, nos dias 20 e 21, um encontro para debater a inclusão nas instituições de ensino. O evento reuniu relatos de alunos com deficiência (PcD), profissionais do Atendimento Educacional Especializado (AEE), pais e mães, servindo como um rico espaço de troca de experiências para todos os envolvidos.
A professora Beatriz Pereira da Fonseca, servidora do Estado há 22 anos e mãe de gêmeos — um autista e outra com deficiência intelectual —, compartilhou a sua vivência na palestra “Mãe Atípica e Suas Experiências”. Durante a sua fala, ela destacou os desafios diários da maternidade e do cuidado. “Eu vim aqui para mostrar, por meio de uma conversa, o quanto aprendi e continuo aprendendo com meus filhos. Quem trabalha ou cuida de crianças com deficiência precisa ter em mente que não existe um manual. Cada uma requer um tipo de atenção. Com o tempo, vamos aprendendo quais caminhos devem ser evitados e quais devem ser seguidos”, relatou Beatriz.
O professor, psicopedagogo e mestre em Educação, Felipe Maia, especialista em diversidade e inclusão, propôs uma discussão sobre os conteúdos escolares. O objetivo foi promover uma reflexão entre os docentes sobre a inclusão e a prática pedagógica, abrangendo desde a dinâmica das aulas até a escolha de materiais acessíveis. “Cada estudante possui características únicas, por isso precisamos ter um olhar individualizado, e não apenas coletivo, dentro da sala de aula. Quando falamos de inclusão, não nos referimos somente a alunos com deficiência ou neurodivergentes. Precisamos detectar a necessidade real de cada estudante. Já avançamos muito, mas ainda não atingimos a plenitude, até porque os professores formados hoje, em sua maioria, não tiveram uma base voltada para a inclusão durante a sua trajetória acadêmica”, avaliou o especialista.
O evento também contou com a participação ativa dos estudantes por meio de Grupos de Trabalho (GTs), que debateram e apontaram formas de combater diferentes tipos de bullying, assédio e exclusão no ambiente escolar. Alcenir de Paiva Neto Rosa, de 16 anos, aluno do 2.º ano do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio, ressaltou a importância de abordar temas como diversidade, inclusão e acessibilidade. “O meu tema foi sobre 'piadas' e comentários de colegas direcionados a um aluno fictício chamado João, que deixou de ser um menino participativo para se tornar introspectivo, tímido e inseguro sobre o seu corpo. O debate com o meu grupo foi bastante rico e diverso, trazendo diferentes visões sobre como acolher os alunos que são vítimas de bullying e como combater esse e outros tipos de assédio nas escolas”, explicou.
Miguel Araújo Barbosa, também de 16 anos e aluno do 2.º ano do curso técnico em Química, encerrou as participações dos estudantes emocionando o público ao ler um texto de sua própria autoria. Para ele, o encontro foi fundamental para a integração de todos. “Com o tempo, sinto que melhorei muito, principalmente na convivência com as outras pessoas”, afirmou o jovem.
Depoimento emocionante
É indiscutível a importância dos responsáveis pela formação da criança/adolescente. Querendo ou não, a maior parte do tempo, a gente passa ao lado dos nosso colegas. E essa pauta da diversidade é muito relevante, porque nós, neuroatipicos, principalmente dentro do espectro autista, fomos ensinados a nos esconder e nos matar mentalmente para caber no mundo que nos foi imposto. E quando não há inclusão, nossa luta se torna difícil.
A gente não escolheu nascer assim. Eu queria muito ser igual a vocês, muito, muito mesmo! Não ter preconceito, não ter que ter crise, não ter que sofrer.
Não é pedir demais, que os pais, aqui presentes ensinem seus filhos.
É muito pedir que vocês saibam o que é uma crise? E entender e cuidar dessa pessoa em puro sofrer? Não é engraçado usar o autismo como piada. Não é de bom tom julgar um autista em crise. Não é legal ser capacitista”. (Miguel Araújo Barbosa, 16 anos, aluno do 2º ano de Química)
**CONFIRA AS FOTOS DO EVENTO NO DRIVE (
https://drive.google.com/drive/folders/182-y46XrTWHtbonp9ZVgURV9DquM-IFl?usp=sharing)
